ELETRENCEFALOGRAMA
Dra. Márcia de Oliveira Nicolini Nosralla
I-Introdução:
As primeiras pesquisas dos fenômenos elétricos cerebrais foram
realizadas em animais, por um pesquisador inglês, Richard Canton (1875),
usando um galvanômetro. Mais tarde, em 1924, Hans Berger registrou,
pioneiramente a atividade elétrica cerebral em seres humanos.
Em 1930, ele descreveu pela primeira vez os padrões eletrencefalográficos
normais e em 1931, relatou alterações neste exame, em pacientes
com epilepsia.
Nos anos 30, outras publicações confirmaram os achados de Berger,
tornando este exame complementar reconhecido e a sua importância foi
consolidada para o estudo das epilepsias e outros distúrbios que comprometem
o sistema nervoso central, primária ou secundariamente. A partir dos
anos 50, com o advento da tecnologia dos computadores, pôde-se obter
uma melhoria do volume de informações.
O Eletrencefalograma (EEG) é um exame gráfico, que registra
e estuda a atividade elétrica cerebral, permitindo assim, a análise
do seu funcionamento qualitativo e quantitativo, através de sistemas
digitais computadorizados. Trata-se de um procedimento de avaliação
fisiológica, e não de um exame de imagem, como é a Tomografia
Computadorizada e a Ressonância Magnética. Tem um papel relevante
no diagnóstico e, conseqüentemente, no tratamento da epilepsia,
pois esta patologia é decorrente de um distúrbio da excitabilidade
do córtex cerebral e, portanto, mensurável por métodos
neurofisiológicos.
II- Indicações:
O EEG é um exame complementar, que nos auxilia, principalmente na confirmação
do diagnóstico clínico de epilepsia, com a demonstração
de descargas epileptiformes.
O estudo normal não exclue a ocorrência de crises convulsivas.
Além disso, ele nos ajuda:
1- a classificar o tipo de crises e das síndromes epilépticas;
2- a identificar as crises não epilépticas (crises de perda
de fôlego, crises de apnéia, movimentos involuntários,
síncopes, pseudo-crises, etc.);
3- a determinar a medicação anticonvulsivante apropriada, monitorando
a sua eficácia e orientando o prognóstico, isto é, o
tempo de tratamento.
O EEG pode, também estudar:
1- causas de crises convulsivas, tais como a persistência de ondas lentas
focais em lesão de massa, ondas lentas generalizadas em encefalopatias
(evolutivas e não evolutivas) e distúrbios metabólicos
(intoxicação por drogas, doenças renais ou hepáticas);
2- descargas periódicas em encefalites;
3- supressão ou atenuação em lesões cerebrais
extensas ou agudas;
4- a maturação cerebral, com EEGs seriados em recém-nascidos
de alto risco.
5- e acompanhar distúrbios psiquiátricos e geriátricos.
A atividade elétrica cerebral pode ser estudada, também, através
do EEG Digital com Mapeamento Cerebral, que é um exame computadorizado,
que forma mapas topográficos coloridos da atividade eletrencefalográfica,
captada sobre o escalpo, fazendo uma análise quantitativa, chamada
de análise espectral. Esta técnica permite o estudo da distribuição
dos diversos ritmos, nas regiões cerebrais.
III- Contra- indicações:
Não há contra-indicação para a realização
do EEG, pois é um exame indolor.
IV- Procedimento:
O exame pode ser realizado em qualquer faixa etária, desde as primeiras
horas de vida, ainda no berçário, até em idosos extremo;
com o paciente consciente (acordado), ou inconsciente (dormindo; em coma;
anestesiado); em ambiente hospitalar (inclusive na UTI), no laboratório,
ou no domicílio.
Pode ser realizado em intervalo de algumas horas, sem nenhum problema.
É necessário para a obtenção de um bom traçado,
que o paciente esteja calmo, cooperante, bem alimentado, sem dor ou qualquer
outro mal-estar.
Os cabelos tem que estar limpos e secos, lavados na véspera do exame
apenas com xampu neutro, sem nenhum produto gorduroso, como cremes ou óleos.
Quando o exame for realizado durante o sono, é necessário redução
do período de sono noturno, ou até privação de
uma noite toda.
As crianças após os 3-4 anos, devem ser preparadas e tranqüilizadas,
com a informação de que o procedimento não provoca dor
ou desconforto algum, devendo ser estimuladas à cooperar com o exame.
V- Resumo do procedimento:
O exame é feito através da colocação de 21 eletrodos
de metal sobre a superfície do couro cabeludo, aderidos por meio de
gel condutor anti-alérgico, após o cabelo do paciente ser cuidadosamente,
separado e preso.
Os eletrodos são ligados a um computador, ligado a um sistema de inscrição,
em papel (EEG analógico).
No EEG Digital, é feita a conversão analógico- digital
e os dados são armazenados no computador e depois novamente transformados
em gráficos, que são impressos em papel.
O tempo do exame é, em média, de trinta a quarenta minutos,
sendo vinte minutos de registro e o restante, para o preparo do paciente.
Os exames das crianças são sempre realizados com a presença
do médico eletrencefalografista, que acompanha o exame e administra
a medicação adequada para a indução de sono, se
for necessário. É utilizado, normalmente, o Hidrato de Cloral
na dose de 50mg/kq de peso.
Quando o exame for feito numa UTI (Infantil ou de Adulto), o tempo médio
para a realização deste é, em média de 1 a 2 horas.
Já numa UTI Neonatal, o tempo de duração é de
2 a 3 horas. Estes locais (UTI e UTI Neonatal) requerem sempre a presença
do médico neurofisiologista, pois se trata de um procemento com cuidados
especiais, devido os pacientes estarem monitorizados com outros aparelhos
e na grande maioria das vezes, intubados.
VI-Interpretação: Correlação
Clínico- Laboratorial:
A atenção para a análise das ondas (a morfologia e a
topografia), para a influência das provas de ativação
(hiperventilação, fotoestimulação, abertura e
fechamento dos olhos e o sono) e para os achados eletrencefalográficos
associados, são os pontos importantes na identificação
dos padrões específicos, tanto de significado clínico,
como benigno.
Porém, a interpretação do significado clínico
do EEG anormal pode ser feito pelo médico, que avaliou o paciente,
por ter o conhecimento da história clínica e do exame físico.
A identificação e a interpretação corretas dos
padrões epileptiformes é mais desafiador na população
infantil, devido as alterações nos padrões do EEG com
a maturação e o amplo espectro de normalidade do EEG da criança.
Mas, a mesma rotina de análise de interpretação é
aplicada tanto no adulto, como na criança.
|
![]() |
||||||||||||
|
|||||||||||||
![]() |
|||||||||||||