ABSTRAÇÃO
Quando
o artista pretende reproduzir em seu quadro uma realidade que
lhe é familiar, como sua realidade natural e sensível
ou sua realidade interna, a pintura é essencialmente a
representação pictórica de um tema: é
uma pintura figurativa. O tema pode ser uma paisagem (natural
ou imaginada), uma natureza morta, uma cena mitológica
ou cotidiana, mas independente disto a pintura manifestar-se-á
como um conjunto de cores e luz. Esta foi praticamente a única
abordagem dada ao problema em toda a arte ocidental até
meados do início do século XX.
A partir das pesquisas de Paul Cézanne, os artistas começaram
a perceber que era possível lidar com realidades que não
necessariamente as externas, dialogando com características
dos elementos que são próprios da pintura, como
a cor, a luz e o desenho. Com o aprofundamento destas pesquisas,
Wassily Kandinsky chegou à abstração total
em 1917. A pintura abstrata não procura retratar objetos
ou paisagens, pois está inserida em uma realidade própria.
A abstração pode ser, porém, construída,
manifestando-se em uma realidade concreta porém artificial.
Esta foi a abordagem dos construstivistas e de movimentos similares.
Já os expressionistas abstratos, como Jackson Pollock,
não construíam a realidade, mas encontravam-na ao
acaso. Este tipo de pintura abstrata resulta diametralmente oposta
à primeira: enquanto aquela busca uma certa racionalidade
e expressa as relações estéticas do quadro,
esta é normalmente caótica e expressa o instinto
e sensações do artista quando da pintura da obra.